terça-feira, 26 de maio de 2009

CAPOEIRA MUNDIAL

CAPOEIRA MUNDIAL

A história das nações humanas é antiga. O homem é um guerrilheiro nato. Junto com as sociedades nascem as artes marciais, e aqueles que as dominam ganham grande prestígio e se tornam mestres.

É sabido que as primeiras civilizações, diverente de hoje, davam-se mais por consanguinidade que por região de nascimento, e assim, sem a idéia de patriotismo, é possível que muitas famílias tenham povoado o mundo inteiro antes mesmo que a idéia do que é o mundo propriamente dito existisse ou prosperasse.

A escravidão, ao que parece, surgiu com as grandes civilizações, ou pelo menos se perpetuou em larga escala, uma vez que peguenos povoados não carecem de terceiros para se manterem.

A História vai além das versões, por isso mesmo é uma ciência de aproximações. A História é uma fraude quando tratada por muitos como verdade absoluta contida nos diários oficiais e documentos que escondem fatos graves da população em função de garantir o trono daqueles que não merecem estar no poder.

Cabe aos novos historiadores explodir essa História fajuta positivista de verdades acabadas e, auxiliados pelos demais cientistas, juntar os cacos da História real, que teoriza, se fundamenta em provas e raciocina além. O historiador tem a obrigação de imaginar acontecimentos a mais, pois mesmo em erro, o pensador tropeça em verdades submersas. Esse tropeço ajuda a desenterrá-las.

O Brasil é um local povoado por gente de toda parte do mundo e sua história sempre foi mal contada, repleta de heróis sanguinários e usurpadores que, sendo invasores, ainda se aclamavam brasileiros civilizados, quando não passavam de piratas comuns.

Esses piratas escravizaram as nações daqui e trouxeram escravos das nações do continente africano, segundo os relatos oficiais. Agora, mesmo que em menor escala, quem garante que gente do mundo inteiro não foi escravizada aqui se ainda hoje o é, e as notícias só chegam às autoridades anos depois?

Assim como vieram príncipes negros, será que também não vieram príncipes brancos e amarelos para o cárcere via navio escravocrata? A capoeira é uma fusão de muitas artes marciais, talvez do mundo inteiro, no Brasil.

Será que a capoeira como a conhecemos hoje não é a fusão de muitas capoeiras desde o tempo do Brasil-colônia? Talvez os saltos mortais, que fundaram o Street Dance e a luta de facão apresentada no Congado e que criou o Frevo não tenham se desenvolvido no mesmo lugar. Aí já teríamos duas capoeiras diferentes. Uma terceira seria a Angola, tida como original, em que se luta no chão e lentamente. Uma quarta seria a Regional, em que se luta mais rápido e de pé.

Se a capoeira fosse afro-brasileira, nascida no Brasil com a fusão da cultura africana, por que só nasceu aqui? Muito estranho, pois não estamos no único local do mundo onde houve escravos negros.

Eu diria que, a participação das nações daqui é esquecida. Será que não surgiram artes marciais de fusão nos próprios aldeamentos jesuítas? É possível que os caciques e pajés tenham unido tribos e trinado em lutas, planejando estratégias para atacar esses povos com arma de fogo que os exploravam piamente.

Não estou negando a importância da cultuira negra, porém, penso que a capoeira puramente afro não teria berimbau, pandeiro nem saltos mortais. A capoeira é uma arte escrava. E quem escraviza um preto, escraviza um branco.

Cabe aos historiadores quebrar mitos, e na capoeira, alguns são: os 3 berimbaus, as cordas coloridas para identificar o nível do capoeirista, o atabaque com cordas como se fosse típico, o uniforme branco ou abadá e os movimentos ritualizados da Angola na contemporaneidade.

Como alerta Mestre Acordeon, na revista "Praticando capoeira", de setembro de 2002, numa crônica, muitas modas na capoeira são criadas hoje como se fossem tradicionais, dificultando o trabalho dos historiadores da capoeira, que, segundo o mestre, não se podem deixar levar pela história oral e documental sem uma profunda análise crítica.

Essa arte marcial brasileira que hoje roda o mundo é ímpar, pois é a única ritmada pela música , estando enraizada no samba e na própria história do nosso país. Os quilombolas daqui foram os samurais brasileiros, nossos ancestrais. Temos capoeira no sangue.

AROLDO FILHO
Pacoti-Ceará
26/05/2009
2h e 30 min

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Aroldo Filho é Historiador, Literato, Letrista, Professor, Blogueiro e Jornalista Independente.

1º Lugar em Auto de Natal no Estado do Ceará, atuando na ocasião como o Rei-Mago Baltasar em 2004.

Criador, Idealizador e Presidente do Jornal Delfos-CE (desde 2007).

Criador e Idealizador da Associação Cultural SEMPRE-Segmento dos Estudiosos da Memória e Patrimônio Regional da Serra de Baturité (2008). 

Criador e Idealizador do 1° Arquivo Público do Interior do Nordeste (2009).

2° e 4° lugares,consecutivamente, no 1° e 2° concursos de poesia da comunidade do Orkut "Vamos Escrever um livro?"(2009 e 2010).

Criador da exposição histórica: "PACOTI: UMA HISTÓRIA EM DOCUMENTOS", aprovado pelo Banco do Nordeste (2010). 

Formou-se em Licenciatura Plena em História (2010).

Sócio do Instituto Desenvolver (2011).

Trabalhou para o Governo do Estado do Ceará como pesquisador no Porto do Pecém (2011). 

Ministrou aulas de História, Geografia, Arte e Religião em Pacoti e em Guaramiranga, no Colégio São Luís, na Escola Menezes Pimentel e na Escola Linha da Serra (entre 2008 a 2015).

2° Lugar em concurso de pensamento na comunidade "Grupo de Poesia" no Facebook (2012).

Participa como um dos autores dos e-books "Por onde andei?" e "Quem sou?" realizados pelo Balcão de Poemas, edição de Wasil Sacharuck.

Publica entrevistas, notícias, contos, crônicas, poesias, fábulas, romances, artigos, peça teatral e letra de música em 32 blogs desde 2005.

Recebeu a Comenda Domitila por Mérito Literário, da SECULDT-Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto de Pacoti (2016).

Passou na seleção para o livro "Prêmio Literário Nacional Concurso Novos Poetas", da Editora "Vivara", 250 poetas escolhidos dentre 2.370 inscritos no país. (2016).

Concluiu Pós-Graduação em Gestão Escolar (2016)

Passou novamente na seleção para o livro "Prêmio Literário Nacional Concurso Novos Poetas", da Editora "Vivara", 250 poetas escolhidos dentre 3.207 inscritos no país. (2017).